Amamentação: É possível depois da volta ao trabalho?

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Foto: Samara Assi

Hoje vim falar sobre amamentação em comemoração à Semana Mundial da Amamentação – SMAM –, que tem início neste sábado, 1º de Agosto, e termina na sexta-feira (7). Como o tema deste ano é “Amamentação e Trabalho: para dar certo o compromisso é de todos”, quero contar para vocês sobre a minha experiência com a amamentação e dizer que, sim, é possível continuar amamentando seu filho depois da volta ao trabalho, mas talvez você precise de ajuda.

Por isso, não hesite em envolver seu marido, sua mãe e sogra, suas amigas, consultoras em aleitamento materno, grupos de apoio (eu mesma participo de um no Facebook chamado Matrice) porque o apoio nesse momento é fundamental.

A Luiza está com 1 ano e 7 meses e ainda mama. Sim, ela “ama o mamá” e já percebi que não quer abandoná-lo tão cedo. Ela não nasceu grande (2,970kg e 46 cm), meus bicos eram para dentro – a solução foi usar o bico de silicone e foi assim por quase 1 mês – ela não mamou por quase 48 horas depois de nascer e tive muita dificuldade para amamentar. Mas pelo fato de ela ser considerada uma “criança pequena” o que sempre ouvi dos médicos é que
precisava ficar atenta para ver se ela ganhava peso porque do contrário o complemento era inevitável.

O meu sonho sempre foi amamentar até, pelo menos, os 2 anos de idade porque sei dos benefícios que o leite materno provê ara a criança amentada prolongadamente, entre eles, desenvolvimento motor, intelectual e social.

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Ela sempre ganhou peso (para a minha felicidade!), mas faltando um mês para a minha volta ao trabalho comecei a ficar ansiosa e percebi que o meu leite diminuiu. Fiquei desesperada, literalmente! Principalmente depois de ouvir da pediatra que eu precisava começar a dar complemento porque do contrário a minha filha poderia “passar fome”.

Detalhe, a Luiza estava apenas com 4 meses e tentar outro método não era uma opção. Comecei a ler muito mais sobre o assunto e descobri que poderia ter ajuda de uma consultora em amamentação. Foi aí que minha vida mudou ao conhecer a Fabíola Cassab, doula e fundadora do grupo Matrice – Ação de Apoio à Amamentação. Esse ser humano incrível mudou a minha vida e de algumas amigas que já contaram com o seu apoio.

Ela foi até a minha casa, onde permaneceu praticamente o dia inteiro comigo, me ouviu, orientou, tirou o medo e me ensinou que era possível manter a amamentação exclusiva até os 6 meses, mesmo com a volta ao trabalho, e permanecer amamentando até quando eu e minha filha quiséssemos. E como um passe de mágicas o meu leite voltou à sua produção normal e eu fiquei em paz.

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Voltei a trabalhar quando a Luiza tinha 5 meses. Aluguei uma bomba elétrica para tirar leite e fazia isso uma ou duas vezes ao dia no meu trabalho para mandar para a escola. Sei que sou privilegiada porque tenho chefes incríveis que me apoiaram e deram o suporte, mas sei que muitas mulheres não têm essa opção, infelizmente. Ainda falta conscientização por parte das empresas e governo, que deveria tornar obrigatório pelo menos a licença-maternidade por 6 meses ou quem sabe 1 ano (conforme propõe o grupo MAS Brasil)

A minha dica é tentar manter a amamentação pelo menos na parte da manhã, à noite e de madrugada (eu faço isso até hoje!). Fácil não é, mas eu nunca desisti!

Claro que tem muitas mulheres que não conseguem amamentar os seus filhos e com certeza elas não são “menos mães” por conta disso, por favor! Cada um sabe da sua dificuldade, tem seus problemas e seus medos, o objetivo desse post é tentar mostrar para as mães que têm a possibilidade e a vontade de amamentar que não desistam. Infelizmente, eu não tenho apoio dos pediatras pelos quais eu passei com a Luiza, mas eu continuo firme na minha decisão.

Desejo muita sorte e sucesso para vocês nesta caminhada deliciosa que é a amamentação. E se quiser conversar, trocar ideias, pode comentar aqui no blog que terei o maior prazer em te conhecer e dividir o pouco que eu sei.

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Sobre a Semana Mundial de Amamentação

Tem início neste sábado, 1º de Agosto . Criada em 1992, a Semana Mundial da Amamentação é realizada em mais de 120 países, desenvolvendo a cada ano um tema diferente. No Brasil, a coordenação é feita pelo Ministério da Saúde desde 1999, que adapta a campanha ao contexto nacional.

Comentários

  1. Por Neila Carvalho
    1/08/2015 às 18:02

    Querida sua história é incrível e tenho muito orgulho por ter conseguido. Tenho certeza que muitas mulheres passam por isto e a sua história servirá de estímulo para continuar amamentando. Eu mesma tive muitas dificuldades na minha primeira filha, o que me ajudou com o apoio que a pediatra da minha filha e meu marido que é pediatra também me deu. Acredito que sem este apoio eu não teria conseguido, já que meu leite desceu quando a Sofia estava com 2 meses.Beijinhos

    • avatar
      Por Tatiane Dantas
      3/08/2015 às 20:45

      Oi Neila, muito obrigada por compartilhar sua história. Amamentar realmente não é fácil, por isso sempre digo que precisamos querer muito e ter essa convicção para vencer todas as batalhas. Concordo com você. Sem apoio realmente você não teria conseguido. O que mais precisamos neste momento é do apoio do marido, da mãe, do médico e das pessoas à nossa volta, além de acreditar no nosso instinto. Ele não falha nunca! Bjs e boa sorte na sua caminhada